Domingo, 16 de Março de 2008

Ansiedade e Depressão

A ansiedade e a depressão são consideradas por muitos médicos dos cuidados primários como uma única doença, uma vez que a maioria das pessoas sofre daquilo que parece ser um quadro misto de ansiedade e de depressão. Apenas um pequeno número, se apresenta com ansiedade simples ou depressão simples.

A ansiedade e a depressão são os problemas mais comuns que levam as pessoas a procurarem ajuda terapêutica.

Poder-se-á distinguir dois tipos de ansiedade:

- A ansiedade primária, ou também chamada de “ansiedade traumática” condicionada por um “traumatismo” ou modificações do meio, onde a própria pessoa é incapaz de dominar.

- A ansiedade secundária ou “ansiedade-sinal”, que corresponde à resposta da própria pessoa a um perigo interior, ou seja, um movimento pulsional que ameaça romper o equilíbrio da relação.

Na primeira, a pessoa perde a sua capacidade de resposta por imaturidade, por estar num estado regressivo ou pelo excesso dos estímulos externos, sendo uma experiência emocional sofrida passivamente. Na segunda, a pessoa utiliza um sinal de antecipação do perigo para pôr em marcha os mecanismos de adaptação e defesa, ou seja, a ansiedade secundária é um despertador de uma actividade específica.

Poder-se-á dizer, também, que a ansiedade é o medo interiorizado (ficou registada a perigosidade de uma determinada situação relacional), surgindo o medo quando se repete uma situação idêntica, sem que a situação actual seja comparada conscientemente com a situação anterior.

Contudo, ansiedade não é sinónimo de depressão e nesse sentido dever-se-á distinguir a ansiedade da depressão.

Enquanto que a depressão corresponde a uma situação de perda, desamparo ou solidão efectiva; a ansiedade corresponde ao afecto produzido pela ameaça de perda ou insegurança. No entanto, pode-se correlacionar a ansiedade secundária com a depressão ligada a uma transitória diminuição da auto-estima por perdas sofridas, como sinal da necessidade de novos investimentos. E a ansiedade primária, com a doença depressiva, na qual se assiste a uma regressão, condicionada por uma relação em que predomina a incerteza e a ambivalência, isto é, a necessidade de alimentos narcísicos e a intolerância à frustração (condições oriundas de uma relação primária precária e pobre, que se vai repetindo nas relações sucessivas que se estabelecem pela vida fora).  

Em suma, poder-se-á referir que a perda e a ameaça de novas perdas se encadeiam num continuum existencial, e por isso, em toda a depressão há sempre ansiedade mais ou menos evidente.

 

Psicóloga Clínica Carolina Rodrigues às 17:15
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O outro lado dos encantos… Depressão Pós-Parto / Materna

Todas as transformações inerentes à gravidez tornam a mulher mais sensível e mais vulnerável para o bom e para o mau. A mulher pode sentir-se mais insegura em relação às suas competências como mãe. Tende a questionar-se se vai conseguir cuidar do bebé e responder às suas necessidades.

Autores dizem que após o nascimento do bebé, a mãe pode apresentar aquilo que se chama de “blues pós parto”. Caracteriza-se por sentimentos passageiros manifestos em humor depressivo, crises de choro sem motivo aparente ou desencadeadas por situações que normalmente não teriam tal efeito, irritabilidade fácil, ansiedade, perturbações do sono e do apetite, alguma confusão, sentimentos de inferioridade, culpabilidade e vivência de cansaço. Este “blues pós parto” pode resultar de uma série de factores, nomeadamente da estrutura da personalidade da mãe. Pode durar algumas horas, dias e pode ir até à 2ª/ 3ª semana após o parto. Muitas vezes não é detectado, é sim desvalorizado pelas pessoas que estão em torno da mãe; família e amigos que dizem: “é normal, está vulnerável”.

Muitas vezes, este quadro antecede a depressão pós-parto propriamente dita, apresentando mais ou menos os mesmos sintomas mas sendo mais contínua no tempo.

Na depressão pós-parto, os sentimentos de inferioridade resultam directamente dos sentimentos de incapacidade para cuidar do seu bebé, dar-lhe amor e compreender as mensagens que o bebé transmite. A mulher apresenta cansaço, desinteresse, incapacidade para tomar qualquer responsabilidade, culpabilidade, sentimentos de vergonha e desespero. Sente que não é capaz de cuidar do seu bebé, que não quer, tem uma enorme culpabilidade e acha que outra pessoa cuidaria melhor do bebé. Esses sentimentos dão origem mais tarde a comportamentos de hiper-protecção e hiper-presença para compensar a culpabilidade que sente pela forma como tratou ou sentiu o seu bebé inicialmente.

Nestas situações, a mãe não deve ser afastada do bebé mas sim cuidar dele com ajuda, excepto quando há descompensação psicótica.

Muitas vezes a depressão pós parto não é diagnosticada e só mais tarde quando a criança já é grande, é que se detecta a depressão na mãe. Já não é depressão pós parto mas sim depressão materna que derivou da gravidez mas que não foi reconhecida nessa altura. A mulher sente-se cada vez mais incapaz e que ninguém a percebe.

Daí que numa depressão pós-parto a mãe deve ser compreendida e ajudada. Tudo piora quando ela fica sozinha e nem sequer consegue preencher os cuidados básicos, acabando por deixar o bebé a chorar durante muito tempo. Esta mãe vai sentir-se extremamente culpabilizada e os seus sentimentos de culpabilidade vão ser sentidos, não só na própria (como acontece numa depressão “normal”) como também no seu bebé. Este estado psicológico não a vai ajudar a estabelecer relação com o bebé. Fica incapaz de funcionar em qualquer campo e como tal os sentimentos de culpa vão sendo cada vez maiores e alastram-se igualmente para o seu dia-a-dia, ou seja, não consegue fazer nada bem, nem como mulher, nem como profissional.

Neste sentido, torna-se essencial que seja realizado um diagnóstico na devida altura para que se possa fazer uma intervenção no sentido de restabelecer o funcionamento da mãe, melhorar a relação mãe-bebé e para que mãe consiga compreender e ultrapassar o que está a sentir e vivenciar dentro dela.

 

Psicóloga Clínica Carolina Rodrigues às 17:05
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Sábado, 15 de Março de 2008

Psicossomática – Quando o corpo chora as lágrimas que não são choradas no coração

Em todas as doenças existem factores de ordem psicológica: a pessoa pode estar mais ou menos vulnerável ao aparecimento de doenças e a ausência de respostas emocionais/afectivas proporciona mais facilmente essa vulnerabilidade. Quando as pessoas têm muita dificuldade em expressar emoções verbalmente, vão fazê-lo através do corpo.

Existem doenças que são desencadeadas após situações de perda afectiva.

Algumas pessoas não se dão conta da perda de afecto, o que leva à emergência de uma Depressão Falhada ou Depressão sem Depressão. Só a parte física é que reage, não há consciência da perda, logo essa falta de afecto não é representada, dando lugar a um vazio. Contudo, como existe um marco inconsciente, assiste-se à emergência da doença física ou perturbação orgânica. Na depressão falhada não há uma depressão psicológica mas há todas as características físicas da depressão (cansaço, falta de energia, sonolência, etc).

Nestas pessoas, a esperança é quase nula, por isso têm poucos projectos, não criam fantasias e não têm um sonho projectado. A isso chama-se Sonho Falhado (não existe propriamente o sonho na vida – a vontade de concretizar um determinado projecto). Vivem muito centradas no presente e têm receio de criar expectativas e projectarem-se no futuro. Sentem falta de esperança e os poucos projectos que têm são levados de forma passiva. Tendem a ficar submetidas às regras, fazendo o que os outros fazem, sem viverem de acordo com as suas vontades - “Não vivem, estão”, porque há poucos estímulos internos. Estas pessoas vão vivendo de acordo com os acontecimentos. Passam a vida a preencher necessidades, mais do que a viverem e desfrutarem dos prazeres, pois não sentem interesse em fazerem as coisas, “fazem por fazer”. Deixam-se levar pelas rotinas que se espalham pela vida. Há um sentido inconsciente da falta, pois como não se alimentam de afectos, vão desistindo facilmente de tudo – há perda de interesse.

Por outro lado, como a pessoa não tem consciência da falta não sente raiva, zanga, nem revolta contra o seu mundo, suas vivências, relações, pois tudo isto não é encarado como maligno (raiva falhada). Por ventura, quando há alguma consciência desta falta, existe esta raiva ou zanga virada para o próprio, metida para dentro. Outras vezes, a raiva também não é dita nem exercida e a pessoa é impossibilitada de exprimir os seus sentimentos de frustração e revolta (raiva amordaçada).

Deste modo, a psicossomática aparece como um distúrbio ligado ao corpo, ou aos cuidados do corpo em pessoas que tendem a não reconhecer as suas emoções.

Muitas vezes, manifesta-se em quedas de cabelo, seborreia, amigdalites, herpes, eczema, dificuldades respiratórias, asma, distúrbios da alimentação, alergias, etc.

As crises psicossomáticas surgem quando existe uma ruptura, uma percepção vaga de que lhe falta algo essencial. É neste momento que a pessoa tende a desistir de tudo o que a rodeia. A pouca esperança desaparece e a pessoa sente-se completamente sozinha. O pensamento é do tipo: “estou sozinho, ninguém gosta de mim”, logo opta por desistir.

No plano psicoterapêutico é necessário trabalhar a parte afectiva e relacional, de forma a restabelecer a esperança. É preciso levar a pessoa a perceber a linguagem ligada às emoções, reconhecê-las e expressá-las. Deve-se expandir o campo simbólico para que o pensamento se torne mais rico e menos mecanizado. Para além disso, ao longo da relação terapêutica desenvolve-se e estimula-se áreas do pensamento que não foram investidas anteriormente.

À medida que este trabalho é feito, as crises psicossomáticas tendem a ser menores e os sintomas corporais acabam por ir desaparecendo gradualmente.

 

Psicóloga Clínica Carolina Rodrigues às 19:32
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Depressão e Funções Cognitivas

O aparecimento de transtornos depressivos em idosos tem sido considerado um factor de risco para o desenvolvimento posterior de processo demencial.

Alguns estudos sugerem que 50% dos pacientes com depressão evoluem para quadro demencial num período de cinco anos. A comorbidade de depressão e demência contribui para o comprometimento de suas capacidades funcionais.

A depressão pode conduzir a alterações das funções cognitivas, temporariamente, muitas vezes dificultando o diagnóstico diferencial entre este quadro e demência. Por outro lado, em muitos pacientes, o início de um processo demencial do tipo Alzheimer apresenta-se com sintomas depressivos. Para além disso, existe uma associação entre sintomas depressivos e comprometimento das funções cognitivas em idosos, com ou sem demência.

Queixas de memória são comuns em pacientes deprimidos, sugerindo, tradicionalmente, o aparecimento do termo “pseudodemência depressiva”.

A relação recíproca entre depressão e demência manifesta-se da seguinte maneira: Depressão na demência, em que os sintomas depressivos constituem parte integrante do processo demencial; Demência com depressão, onde existe coexistência de ambos os fenómenos, sendo que os sintomas depressivos instalam-se num quadro demencial preexistente; Depressão com comprometimento cognitivo, em que depressão evolui com dificuldades cognitivas, particularmente, de concentração e de memória recente; Demência na depressão onde o comprometimento cognitivo resulta do processo depressivo (“pseudodemência depressiva”).

Psicóloga Clínica Carolina Rodrigues às 17:10
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Depressão nos Seniores

A depressão é uma perturbação frequente nos Seniores e está associada a um elevado grau de sofrimento psíquico.

A depressão tem sido caracterizada como uma síndrome que envolve inúmeros aspectos clínicos, etiopatogénicos e de tratamento. Quando surge tardiamente, está frequentemente associada a doenças clínicas gerais, ao isolamento social e anormalidades estruturais e funcionais do cérebro, configurando-se numa perda de qualidade de vida.

As causas de depressão no senior configuram-se dentro de um conjunto amplo de componentes, onde actuam factores genéticos, eventos vitais, como luto, abandono, doenças incapacitantes, entre outros.

As doenças crónicas e incapacitantes constituem factores de risco para depressão. Sentimentos de frustração perante os anseios de vida não realizados e a própria história da pessoa, marcada por perdas progressivas de pessoas significativas, dos laços afectivos e da capacidade de trabalho, bem como, o abandono, o isolamento social, a incapacidade de desempenhar uma actividade produtiva e a aposentadoria que absorve os recursos mínimos de sobrevivência, são factores que comprometem a qualidade de vida e predispõem o senior ao desenvolvimento de depressão.

Psicóloga Clínica Carolina Rodrigues às 17:00
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