Sábado, 15 de Março de 2008

O que é a Perversão Sexual?

A perversão é um desvio da norma – versão que fica ao lado da versão correcta.

A perversão quer dizer disturbação. Quem perverte, distorce e isso liga-se à mentira, falsidade e ao uso indevido de alguma coisa. A perversão está ligada a um comportamento clivado em que a pessoa dissocia determinada coisa. Há núcleos da pessoa que funcionam independentemente de outras partes da pessoa que funcionam normalmente. A estrutura funcional de uma pessoa com perversão é na maioria das vezes de imposição. Por detrás da perversão há uma distorção muito grande desde o início da relação que se vai perpetuando ao longo do tempo. A própria relação sexual com o corpo é entendida como algo violento e extremamente destrutivo. 

As perversões podem ser manifestas ou podem ser só vividas em momentos íntimos. A perversão é privada quando a pessoa não manifesta mas sente algo e isso não sai da sua cabeça. É aqui que surgem determinados tipos de fetiches. Um fetiche é um objecto substituto. Aquilo que o sujeito não pode fazer como socialmente aceite é realizado por um fetiche. Há uma atribuição de partes do corpo de uma pessoa a determinado objecto. Com esse objecto, o sujeito fantasia e vive essa fantasia. A relação com esse determinado objecto é de controlo. Quanto mais o sujeito controla, mais prazer ele tem.

O funcionamento social de uma pessoa com uma estrutura perversa é em regra tão correcto, que a sua falha acaba por passar despercebida e, como tal, é frequente convencerem os outros do seu carácter “natural” e não patológico.

Encontra-se a consciência mórbida da pessoa perversa no surgir de uma angústia que escapa à libidinização (a tensão do medo sentida na prática do acto perverso, a escolha de situações de risco, etc.): na necessidade de se impor períodos de abstenção; no carácter fugaz e precipitado da descarga; na frustração consequente à satisfação; no segredo da actividade perversa; na “ignorância” do significado das situações falhadas de perversão; no sentimento de repetição compulsiva e monótona; na consciência do carácter impositivo e intermitente.

Contudo, só existe perversão ou feticismo/fetichismo patológico se não conseguir obter excitação ou orgasmo quando um determinado elemento não está presente. Por exemplo, se a pessoa só consegue sentir prazer através da humilhação do outro sexualmente (sadismo), ou através da provocação de sofrimento nele próprio (masoquismo), ou só com um determinado objecto (vestindo uma peça de roupa específica, algemas, vendas, etc.).

A perversão é algo que é possível ser ultrapassado através de psicoterapia adequada. Na maioria das vezes, as pessoas que sofrem de algum tipo de perversão têm muitas resistências em aderir ao processo terapêutico porque estão muito ligadas à sua própria perversão que possibilita para elas uma importante descarga energética, suficiente para lhes manter um equilíbrio interno. Contudo, com ajuda técnica e profissional, acabam por conseguir canalizar da melhor maneira a sua líbido e viver uma vida sexual mais saudável e feliz, tanto para eles próprios, como para os outros com quem partilham a sua intimidade.

Psicóloga Clínica Carolina Rodrigues às 19:15
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